Mostra 'Automata' sobre ancenstralidade dos povos originários será aberta nesta quinta
04/02/2026 12:50 - Atualizado em 04/02/2026 14:39
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Bordado, madeira e mecanismos manuais compõem a exposição “Automata”, uma experiência interativa na qual o público é convidado a acionar engrenagens que colocam os bordados em movimento. As obras refletem sobre ancestralidade, memória e a permanência viva das culturas dos povos originários no Brasil. Criada pela artista Aline Bagre e Anthony Brito, a mostra estreia nesta quinta (5), às 19h, na Santa Paciência Casa Criativa, em Campos, onde permanece em cartaz até 28 de fevereiro. A entrada é franca.
Durante seu tempo de permanência no local conta com programação complementar que inclui oficina de bordado livre e visitas com escolas públicas da região. Todas as obras da exposição contam com audiodescrição.

A exposição nasce do desejo de criar um novo modo de acessar a memória ancestral. Para a artista Aline Bagre, “Automata” surge da vontade de ativar lembranças que pareciam imobilizadas pelo tempo. “A gente pensou em misturar bordado e madeira com engrenagens pra fazer o bordado ganhar vida, como um filme. A motivação foi criar um jeito de ‘mexer’ na lembrança, fazendo com que imagens que pareciam paradas no tempo voltassem a se movimentar com a ajuda do público”, explica.

A artista indígena Aline Bagre desenvolve uma pesquisa ligada às memórias de sua família e à ancestralidade de sua bisavó, conectando histórias pessoais a um processo histórico mais amplo de apagamento dos povos originários.
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Nesse contexto, “Automata” se afirma como um gesto de ressurgência. “É importante porque nos faz lembrar que o jeito de ver o mundo das comunidades indígenas é um conhecimento que continua valendo muito nos dias de hoje. É sobre entender de onde viemos para saber quem somos agora”, destaca a artista.

A exposição é composta por 30 obras, divididas em duas séries. A primeira reúne bordados livres que apresentam imagens metafóricas ligadas às memórias familiares de Aline e à ancestralidade Goytacá. Já a segunda série é fruto da colaboração com o artista Anthony Brito, responsável pela criação dos mecanismos que dão movimento às obras. Ao acionar manivelas e engrenagens, o público revela pequenas narrativas visuais que se desdobram no tempo.

Para Anthony, o impacto da exposição está justamente na experiência de descoberta. “As obras não estão todas visíveis. Cada pessoa precisa manipular a peça para ir descobrindo as micro-histórias. Cada engrenagem vai levando o público para dentro da ‘mata’”, afirma.

Na noite de abertura da exposição, às 19h, haverá participação de Remu Goitacá e Amanda Mara Goytaká, representantes do coletivo Retomada Goytaká, que constrói um movimento de retomada ancestral dos diversos povos que habitam e habitaram o território de Campos dos Goytacazes e a região Norte/Noroeste Fluminense.

O projeto é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.

Com informações de assessoria 

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