Deputado Vitor Junior: 'Nome de Nicola se fortaleceu na Alerj'
Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Dora Paula Paes e Hevertton Luna 14/02/2026 06:30 - Atualizado em 14/02/2026 06:53
Vitor Junior, deputado estadual
Vitor Junior, deputado estadual / Divulgação
Na disputa, hoje, pelo mandato-tampão com a saída do governador do Rio, Cláudio Castro (PL) para sua candidatura ao Senado, o chefe da Casa Civil, Nicola Maccione, sai na frente, com apoio inclusive do núcleo duro do PL na Assembleia Legislativa. Essa é a opinião do deputado estadual, Vitor Junior (PDT), entrevistado no programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, nesta sexta-feira (13). Vitor ainda falou que para 2028, por exemplo, não descarta se candidatar à prefeitura de Campos, ou mesmo de Niterói. No entanto, tal decisão, segundo ele, depende da eleição desse ano, quando pretende tentar uma vaga na Câmara Federal. O deputado que tem raízes em Campos, ainda falou da movimentação dos seus conterrâneos: a briga de ego entre o prefeito Wladimir Garotinho e o presidente da Alerj afastado Rodrigo Bacellar, além de que convidou o ex-governador Anthony Garotinho para voltar ao PDT.
Carinho por Campos - "Campos nunca saiu do nosso coração e da nossa vida cotidiana, porque, no caso, meu pai nasceu e foi criado em Vila Nova, um distrito um pouco distante aqui do eixo urbano. A gente teve a oportunidade de construir uma relação de amizade, de companheirismo, com diversas pessoas e amigos daquela região."

Niterói como refúgio do interior - "Aqui nós tivemos grandes quadros da medicina, do direito, da contabilidade, do mundo empresarial, da educação, que saíram de Campos para buscar oportunidade de estudo e trabalho em Niterói, que foi a capital do interior. A cidade acolheu o Norte e Noroeste do estado do Rio de Janeiro, famílias de Campos, Itaperuna, Bom Jesus, Cardoso, Italva, São Francisco. Então, nessa mesma linha, saímos aqui de Campos para buscar na capital do interior, Niterói, uma oportunidade de estudo, uma oportunidade de trabalho."

Campos precisa ser cuidada - "A gente precisa contribuir para que todos os municípios do estado do Rio tenham o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) que a cidade de Niterói tem. É por isso que a gente está aqui hoje. A gente está aqui com o compromisso com a cidade de Campos. Niterói já está bem cuidada e tem tudo aquilo que a população espera, óbvio que ela tem necessidades e sempre cobra."

Candidatura de Caio - "Tenho a minha consciência muito tranquila que nos últimos seis anos que contribuí e muito com o prefeito Wladimir Garotinho (PP), para que ele pudesse ter tranquilidade dentro do processo eleitoral e dentro das disputas que ocorreram. A primeira delas, na primeira eleição, eu vim para Campos para apoiar o então candidato Caio Viana (atual deputado federal, pelo PSD), que foi nosso candidato pelo PDT. Coordenei a campanha do Caio e posso dizer que fui o responsável pela chegada do Caio no segundo turno."

Atraso de Caio - "Pena que o Caio só começou a entender 15 dias depois de começar o segundo turno e a nossa campanha atrasou. Se ele tivesse o ritmo que a gente tem lá em Niterói, com certeza, a gente tinha virado essa eleição de maneira muito mais rápida e, hoje, a realidade de Campos seria diferente."

Wladimir e Caio não são boas opções - "Tenho certeza que nem Wladimir e nem Caio são as melhores opções para a Prefeitura de Campos. Falo isso olhando para a história. Uma coisa que eu aprendi na minha vida é olhar para trás e entender aquilo que aconteceu na cidade ao longo desses últimos anos. Quem foram as pessoas que gerenciaram e cuidaram e quais foram as políticas implantadas."

Sem futuro - "Esse modelo de gestão que hoje existe na cidade de Campos, simplesmente, é um modelo que não traz perspectiva de futuro para a nossa população. A gente vem dar a certeza de que aquilo que nós fizemos em Niterói, sendo o melhor IDH do estado do Rio de Janeiro."

Políticos de Campos não agregam - "Infelizmente, hoje, a gente tem um perfil político na cidade de Campos que não agrega, que não traz compromisso e unidade para que a gente possa construir um município e um estado mais forte. É deprimente as diversas atividades públicas que ocorreram no município de Campos, com a presença de lideranças da Prefeitura Municipal de Campos, do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, simplesmente numa desculpa pessoal de vaidade, de ego, e deixando de lado aquilo que realmente a população precisa."

Ego pela Estrado dos Ceramista - "A questão aqui é simplesmente uma disputa de ego, uma disputa pessoal. A gente tentava naquilo que a gente tinha condições de fazer, chamando o presidente da Alerj (Rodrigo Bacellar, agora afastado do cargo) e pedindo que ele tivesse sabedoria na rela-ção da Assem- bleia e do poder com o Governo do Estado, com a Prefeitura. Ao mesmo tempo, por vários mo-mentos, tive a oportunidade de aconselhar o prefeito Wla-dimir para que ele tivesse tran-quilidade."

Pré-candidato a federal pelo PDT - "Esse pulo para a federal vai ser no PDT. Até porque a gente é um grupo. Em Niterói, a gente vai ter dois pré-candidatos a deputado federal pelo PDT. Existe uma questão que a gente está avaliando. Temos, por enquanto, duas pré-candidaturas a deputado federal. A gente vem construindo a nossa pré-candidatura de deputado federal nos últimos dois anos, a partir de um entendimento com o prefeito (de Niterói) Rodrigo Neves (PDT), que a gente precisava ter um deputado federal."

Gosto dos Calil - "Eu conheço e gosto de alguns Calil, mas não são todos Calil que são iguais aos outros que a gente gosta. Por exemplo, eu gosto muito do meu querido Bruno Calil, médico, uma pessoa que teve um papel muito importante na política de Campos nas últimas eleições e vem a ser meu primo."

Encontro com Garotinho - "No meu encontro com o (ex-) governador Garotinho, que aliás eu quero dizer o seguinte: foram três horas e vinte minutos de conversa. Três horas e dez, ele falou e me deixou falar dez minutos. Acho que o Garotinho é, sim, talvez o maior expoente do PDT na história de Campos. Nessa conversa, eu convidei Garotinho a voltar para o PDT."

Fama de forasteiro - "Ao longo desses últimos três anos, no período que eu estou deputado estadual e a gente vem atuando na cidade, sendo chamado só de forasteiro é um prêmio, porque a gente ouve aqui embates entre pessoas de extrema presença política no município de Campos. A gente ouve todo tipo de baixaria e ofensa entre eles. Esse Tiago Virgílio (atual presidente da Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos - Codemca) me chamando de Robin Hood, que tira dos ricos para dar para os pobres, para ninguém se enganar comigo. Mas, eu estou muito feliz, nesses últimos três anos, com o que a gente vem construindo na relação com a população de Campos."

Não fiz nada - "Há três anos cheguei aqui no município de Campos, em uma eleição de deputado estadual, apenas com o apoio dos meus amigos e parentes, e tive 2.564 votos. O que eu fiz por Campos nesse período? Nada. A única coisa que eu fiz foi mostrar aquilo que nós fizemos em Niterói ao longo da nossa história e o que a gente poderia trazer aqui para o município e para todo o estado como deputado estadual."

Candidatura para prefeito de Campos em 2028 - "Nada impede que eu seja candidato a prefeito em Campos. Como posso ser em Niterói também. Tudo é eleição e mineração só depois da apuração. A gente tem que ver o resultado dessas eleições em Campos esse ano."

Bacellar na Alerj - "Em relação à variável do ex-presidente Rodrigo Barcellar, realmente tenho um pouco de dificuldade, porque eu não falei com o Barcellar desde o dia da votação que permitiu a ele que respondesse o processo em liberdade. Tenho a opinião de que o deputado Bacellar não irá renunciar. Acho que mediante a estratégia de defesa que ele adotou, até porque o afastamento dele da presidência foi para que não tivesse nenhuma obstrução em relação às investigações. Até porque se chegar lá na frente e entender de que ele não tem nenhuma questão que leve a ele a ser culpado daquilo que ele foi acusado, pode futuramente as-sumir novamente a presidência."

Nicola como governador-tampão - "O nome do Nicola (Maccione, chefe da Casa Civil) é um nome que se destaca bastante pela experiência que tem, é um secretário lapidado, é uma pessoa que tem compromisso com a gestão (do governador Cláudio Castro), é um bom nome, independente de partido."
Corrida para o mandato-tampão - "Nesses últimos 10 dias, o nome do Nicola se fortaleceu na Alerj e o nome do deputado André Ceciliano nos bastidores. Se tiver um ranking ali, acho que o Nicola ali acelerou, o André Ceciliano está ali atrás e o Douglas ficou para trás."
Passos para pacificar Alerj - "O Nicola, nesses últimos 10 dias, deu grandes passos na unificação da Assembleia. Existem vários grupos de deputados que vêm dialogando com ele, inclusive o próprio núcleo duro do PL, que envolve ali o deputado Poubel, Knoploch e Amorim, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, ao apresentar essa semana o regulamento para o mandato-tampão, sinaliza também em todas as suas falas o apoio ao secretário Nicola."

Nos próximos capítulos - "Tem muita variante, tem muita coisa para acontecer, porque uma coisa tenho certeza, o governador Cláudio Castro, a hora que deixar o cargo, a gente vai ter alguns capítulos muito fortes dessa novela para que a gente tenha o desfecho de quem vai ser o governador-tampão."

Paes na dianteira - "Eduardo (Paes, prefeito do Rio) hoje corre sozinho, com 35%, 36%. Qualquer candidato apoiado pelo PL e pelo governador Cláudio Castro vai minimamente conseguir atingir um patamar de percentual parecido. Eu acho que a direita vai ter que fazer um exercício muito grande para ter um candidato nesse enfrentamento com o Eduardo."

Venderam a Monalisa - "A gente vendeu a nossa Monalisa, que era a Cedae, e, infelizmente, todos os recursos que vieram da venda não trouxeram nenhum benefício para a população do Estado do Rio de Janeiro. O Estado do Rio de Janeiro é isso hoje. Um Estado sem perspectiva, sem projeção de futuro."

Senado no Rio - "A primeira (cadeira ao Senado) é de Castro. Posso afirmar. Se a eleição fosse hoje, o Cláudio seria o senador mais votado e garantiria a vaga. A segunda cadeira é uma disputa entre a Bené (Benedita da Silva) e o (Márcio) Canella. Faço uma aposta na Bené. A eleição vai se desenvolvendo."

Disputa para presidente - "Acho que o melhor adversário para o Lula é o Flávio Bolsonaro e vice-versa. Com Tarcísio (governador de São Paulo), seria uma eleição mais dura, porque querendo ou não, ele é da direita, mas já circulou no governo de esquerda. Ele é um cara que transita por todos os setores da sociedade e é mais palatável. Ele é o pior adversário para o Lula."

Falta uma marca no governo Lula - "Ele tem um problema grave para ainda ajustar. Ele não teve uma grande marca como teve nos governos anteriores. Então, faltou ao governo Lula um programa, uma marca, uma ação de fato que ainda espero que seja Saúde."

Investimento federal na segurança do Rio - "No caso do Rio de Janeiro, a gente precisa ter o governo federal entrando forte aqui na Segurança Pública, que é o que nos assola, a gente tem medo de botar o pé fora de casa, a gente tem medo de andar na rua."

Centro de Campos às traças - "Estava vindo do hotel e pelas ruas aqui do centro de Campos, o que mais tem aqui é loja com placa de vendo ou alugo. É impressionante. A gente observa o seguinte, tudo isso cria um clima de insegurança muito grande."

Crise na esquerda - "A esquerda vai viver um pós-Lula muito dramático, porque o Lula hoje não é o PT, o Lula hoje é a esquerda. É muito maior que o PT. No pós-Lula a esquerda, no debate que a gente faz, é isso."

Vice de Campos terá um teste - "Frederico (Paes) vai ter a chance, assumindo como prefeito, de dois anos de governar. Acho que o grande teste que ele vai ter para poder disputar uma eleição, na sequência, é a partir da capacidade dele de reorganizar a cidade."

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