Polícia Civil prende suspeito de matar mulher encontrada carbonizada em Lagoa de Cima
Maria Laura Gomes 12/02/2026 13:38 - Atualizado em 12/02/2026 17:35
Kelen Santos Pereira
Kelen Santos Pereira / Foto: redes sociais


A Polícia Civil prendeu Douglas Dias da Silva, de 27 anos, suspeito de matar Kelen Santos Pereira, cujo corpo foi encontrado carbonizado em Lagoa de Cima, em Campos, no dia 31 de janeiro. O suposto autor do feminicídio foi encontrado nesta quinta-feira (12) na zona rural de São Francisco de Itabapoana por agentes da 134ª DP (Centro), que cumpriram um mandado de prisão temporária expedido pela 1ª Vara Criminal de Campos.
De acordo com a Polícia Civil, Kelen era garota de programa e foi contratada por Douglas, confessou que matou a vítima por uma "desavença contratual", utilizando o tubo interno de uma moto, mais conhecido como "bengala". Além do material, o carro usado por ele no dia do crime foi apreendido e levado para a delegacia.
  • Fotos: Maria Laura Gomes

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A delegada titular da 134ª Delegacia de Polícia (Centro), Carla Tavares, concedeu coletiva nesta quinta-feira para falar sobre a investigação do caso e detalhou informações do crime. 

“No dia 31 de janeiro nós recebemos a informação sobre um corpo de uma mulher vítima de homicídio e o corpo estava completamente carbonizado. Os agentes chegaram até o local e perceberam que o crime tinha acabado de acontecer, porque ainda havia muita fumaça e foi preciso jogar água para cessar o fogo. Logo no mesmo dia 31, uma testemunha esteve na delegacia para registrar o desaparecimento da Kelen, justamente a mulher que foi encontrada morta. A testemunha relatou que Kelen era garota de programa e tinha sido contratada pelo autor para um programa”.
Delegada deu detalhes do caso
Delegada deu detalhes do caso / Foto: Rodrigo Silveira


Ainda segundo a delegada, colegas teriam alertado a vítima sobre o comportamento do suspeito. “Kelen tinha sido orientada por outras colegas de trabalho a não fazer esse programa, porque o contratante era apontado como uma pessoa extremamente violenta e as garotas tinham muito medo dele. Mas a vítima alegava necessidade do dinheiro naquele momento e aceitou o contrato. Ela saiu com o autor e não foi mais vista”, disse a delegada.

Com as informações repassadas, inclusive as características do veículo utilizado, a Polícia Civil iniciou diligências para identificá-lo. “Eu gostaria de pontuar uma situação que foi muito importante para a gente identificar esse veículo e chegar à autoria: as câmeras de segurança do Centro de Controle Operacional do município de Campos. A partir da identificação do veículo foi possível acompanhar passo a passo o trajeto”, contou.

Segundo a delegada, as imagens mostraram o suspeito saindo da residência com a vítima no interior do carro. “Em uma das imagens é possível verificar que a vítima estava enrolada no banco do carona. Com muita frieza, ele para em um posto de gasolina, abastece o carro e compra etanol, com o qual ele ateou fogo no corpo da vítima.”

Após a prisão, o suspeito relatou a dinâmica do crime. “De forma muito tranquila, ele narrou que houve uma desavença durante o programa, por um desacordo contratual. Ele contratou um tipo de programa e, chegando ao local, ela não concordou em fazer da forma que havia sido combinado. Eles começaram a discutir, a vítima disse que sairia do local e ele não aceitou”, informou a delegada.
Homem foi preso nesta quinta (12) em SFI
Homem foi preso nesta quinta (12) em SFI / Foto: Reprodução


Ainda segundo o depoimento, Kelen teria cumprido parte do combinado e queria receber. “Durante essa discussão ele enforcou a vítima, que acabou desmaiando. Ela tentou se levantar e continuou gritando. Com isso, ele pegou a ‘bengala da moto’ e desferiu golpes na cabeça da vítima. Ela teve traumatismo craniano, fraturas no braço e na perna”, acrescentou a delegada.

Carla destacou que o suspeito quebrou o celular da vítima. “Ele é um elemento perigoso e sabia exatamente o que estava fazendo. Ele quebrou o celular da vítima porque sabia que poderíamos fazer o monitoramento.”

Após o homicídio, segundo a investigação, ele enrolou o corpo em uma toalha, colocou no carro, passou em um posto de gasolina para comprar etanol e, em seguida, levou o cadáver para Lagoa de Cima, onde ateou fogo. A residência dele fica localizada no bairro do Jockey, onde Kelen foi morta.

Para a delegada, o caso revela um padrão preocupante. “É um modus operandi muito característico de quem procura mulheres em extrema situação de vulnerabilidade para cometer esse crime, porque sabe que essas mulheres têm muita dificuldade de procurar a delegacia para denunciar.”

Ela finalizou reforçando o papel da instituição. “A Polícia Civil está aqui para proteger todas as mulheres. Todas as pessoas que sofrerem qualquer tipo de violência têm que procurar a delegacia.”
 

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