Protesto na Praça São Salvador pede justiça pelo assassinato do cachorro Orelha em SC
Maria Laura Gomes 01/02/2026 16:40 - Atualizado em 01/02/2026 16:48
Cerca de 30 pessoas se reuniram na manhã deste domingo (1º), na Praça São Salvador, no Centro de Campos, em um protesto em repúdio ao assassinato brutal do cachorro Orelha e contra os maus-tratos e a crueldade praticados contra animais no município e em todo o país. O ato integrou um levante nacional que levou milhares de pessoas às ruas, neste domingo, em defesa dos direitos dos animais.

Em Campos, participaram do protesto defensores da causa animal, protetores independentes, ativistas, veterinários e integrantes de associações de proteção. Com faixas e cartazes, os manifestantes pediram justiça para Orelha e para outras vítimas de violência, além do endurecimento das leis contra maus-tratos a animais. A mobilização foi puxada pela associação de proteção Agrada, com apoio de ativistas e protetores da cidade.

Durante o ato, foram debatidas legislações já existentes e projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratam do aumento de penas para crimes contra animais. A ativista, jornalista e pós-graduanda em Direito Animal, Thaís Tostes, afirmou que o caso do cachorro Orelha simboliza uma realidade de crueldade recorrente e uma indignação social reprimida diante do sofrimento animal.

“O caso do Orelha é o retrato da nossa barbárie, assim como outros casos recentes, como o do cavalo de Bananal, que teve as patas decepadas ainda vivo. A repercussão gigantesca do assassinato do Orelha mostra que a sociedade não aguenta mais ver tanta crueldade contra os vulneráveis”, afirmou.

Segundo Thaís, embora a Lei Sansão tenha aumentado a pena para crimes contra cães e gatos para dois a cinco anos de reclusão, é necessário avançar na proteção de outros animais.

“Defendemos o aumento de pena também para crimes contra cavalos e animais silvestres. A violência contra esses animais teve avanço com a aprovação do PL 347/03, que aumenta a pena para dois a oito anos de reclusão, inafiançável, mas ainda consideramos pouco. É fundamental que a sociedade pressione politicamente e denuncie os casos às delegacias para que as leis sejam efetivamente cumpridas”, completou.

A protetora de animais Joseth Bravo reforçou o pedido para que o crime não fique impune e fez um apelo à população por mais apoio à causa animal. “Ninguém é obrigado a gostar de animal, mas respeitar é um dever. Pedimos que o caso do Orelha não fique impune e que a população ajude os animais e os protetores. Quanto mais ajuda, menos abandono nas ruas e menos Orelhas vão sofrer”, disse.

Para a protetora Ana Cancio, integrante da Agrada, o protesto também chamou atenção para a grave situação enfrentada diariamente pelos animais no município. “Nós fizemos esse protesto para pedir justiça pelo Orelha e por todos os Orelhas que existem em Campos. São milhares de animais abandonados, maltratados e sofrendo. Vemos envenenamento de cães e gatos e crimes bárbaros contra cavalos. Queremos justiça e punição aos maus-tratos”, afirmou.

Integrante da mesma associação, Érica Naegle destacou que o país já possui legislação para combater a crueldade animal, mas cobrou a aplicação efetiva das normas. “A gente fica incrédulo com o que acontece com os animais no Brasil. As leis existem e precisam ser cumpridas”, ressaltou.

Agnes Santos, também da Agrada, reforçou que os casos de violência são frequentes em Campos e exigem uma resposta mais firme do poder público. “Campos tem uma relação extremamente cruel com os animais. Todos os dias acompanhamos casos horríveis. Quem está na linha de frente da proteção vê isso diariamente. As leis existem, mas os órgãos precisam cumprir e fazer cumprir”, concluiu.

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