Dora Paula Paes
19/02/2026 07:38 - Atualizado em 19/02/2026 07:37
Divulgação
O escritor Arthur Soffiati se despede do seu pseudônimo Edgar Vianna de Andrade em grande estilo. Edgar era o crítico de cinema, desde 2005, do Caderno de Cultura da Folha da Manhã. O momento do criador tomar a forma da criatura marca a edição do seu mais novo livro “Um cinéfilo em quarentena seguido de seres extintos no cinema”. Nesse seu novo trabalho literário, ele comenta os títulos de uma indústria cinematográfica de obras do cinema B e trash que nasceram nos porões dos grandes estúdios de Hollywood.
“Quem gosta de filme nem sempre gosta de cinema. Escondido sob o pseudônimo de Edgar Vianna de Andrade, Arthur Soffiati mostra que, valendo-se de filmes, gosta de cinema. É a arte cinematográfica que ele prestigia quando assiste a um filme. Assim, ele descobre em filmes considerados de qualidade inferior a arte do cinema, seja no diretor, na fotografia em movimento, na montagem e nos cenários”, se revela na obra.
Nesse primeiro momento o escritor lambe sua mais nova cria. O livro ainda não tem data de lançamento, por outro lado, já tem convite para apresentá-lo aos cinéfilos durante a realização da segunda edição do Festival Internacional Goitacá de Cinema, em Campos, agora em 2026.
Soffiati conta o livro nasceu. Tudo aconteceu em 2020, quando os cinemas fecharam durante a pandemia da Covid-19. Foi passando pela quarentena que Soffiati decidiu recorrer à sua “DVteca” de 3.500 títulos. Sua atenção logo se voltou para os filmes considerados ruins, muitos da década de 50.
“Não demorou para que eu concluísse que aqueles filmes falavam de uma indústria cinematográfica norte-americana que funcionava nos porões dos grandes estúdios. Houve cineastas formidáveis nessa década, como Roger Corman, Jack Arnold e Nathan Juran. Corman começou fazendo de tudo: carregava cenários, atuava como iluminador, montava cenários e distribuía cartazes, redigia roteiros, iluminava, maquiava e dirigia. Além disso, revelava nomes de artistas, como Jack Nicholson e Coppola”, explica.
O crítico ficou vidrado na obra de Corman que , segundo ele, se tornou uma lenda. “Os três medos que assolavam os habitantes dos Estados Unidos e do mundo, eram uma nova guerra atômica, as experiências científicas e uma invasão de seres de outro planeta. Esses diretores exploravam esses medos dirigindo filmes como “A invasão de Marte”, “Tarântula”, “O ataque dos caranguejos monstruosos”, “A guerra dos mundos””, conta e frisa:
- Por trás de uma invasão de seres extraterrestres, havia o medo de uma invasão soviética.
Soffiati explica que esses filmes da década de 1950 marcaram muito diretores como Steven Spielberg, George Lucas, Tobe Hooper e Quentin Tarantino.
“Assistindo a esses péssimos-ótimos filmes percebi que gosto mais de cinema que de filmes. Decidi escrever sobre esses filmes considerados B pelo baixo orçamento. Meus comentários foram reunidos no livro ‘Um cinéfilo em quarentena seguido de seres extintos no cinema’. Neles, aparecem discos voadores, monstros que saem do mar, mulheres seminuas nos braços de macacos, zumbis, caveiras. Entrei nesse mundo e não consigo sair”, confidencia.
Sobre esses filmes B, aqueles de baixo orçamento, que tiveram seu momento áureo nos Estados Unidos, entre 1950 e 1965, Soffiati se pegou na fotografia, nos efeitos especiais, nos roteiros e nas atuação. De acordo com ele, sofríveis, mas, que por outro lado, diretores e artistas foram revelados pelo cinema B.
“Com recurso à computação gráfica, esses filmes ótimos e horríveis ao mesmo tempo não mais existem”, salienta.
Para completar, o autor aproveitou a oportunidade para publicar também filmes retratando animais extintos desde os primórdios do cinema.
Dentre esses filmes “sofríveis”, para Soffiati o pior deles é “Mãos do destino”. Quanto ao melhor disse ser impossível escolher um único título. “No livro, creio que o leitor descobrirá filmes dos quais nunca ouviu falar. Descobrirá que Edgar os descobriu e encontrou algo interessante neles e, agora, se despede, conclui.
Na sua lista de Filme B e filme trash
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Entre os filmes desconhecidos
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