Caso Master: Toffoli pede novo cronograma de depoimentos e reduz tempo para PF ouvir investigados
16/01/2026 12:59 - Atualizado em 16/01/2026 12:59
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 / Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Diante de um pedido da Polícia Federal (PF), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, solicitou que a PF apresente um novo cronograma de depoimentos e reduziu de seis para dois dias o tempo para os agentes ouvirem os investigados no caso Master.

Antes da mudança, os depoimentos estavam agendados para ocorrer entre os dias 23 e 28 de janeiro. Agora, o ministro espera da PF nova sugestão de datas com, no máximo, dois dias para os depoimentos.
Relator da investigação que apura supostas fraudes da instituição de Daniel Vorcaro, o ministro acatou a solicitação da polícia no último dia 13.
Na decisão, o ministro pontua que as oitivas do caso estavam autorizadas desde o dia 15 de dezembro e cita "limitação de pessoal e disponibilidade de salas" nas dependências do STF.
Clima azedo entre PF e STF
Em uma decisão, na quinta-feira (15), Toffoli indicou quais peritos da Polícia Federal vão poder analisar o material apreendido no caso do Banco Master.

Segundo apuração do blog da Julia Duailibi, do g1, a decisão do ministro de indicar nominalmente quatro peritos para atuar no caso Banco Master azedou de vez a relação entre a corporação e o Supremo.
Nos bastidores, o movimento foi lido pela cúpula da polícia como um recado duro: "Não quero a participação institucional de vocês".

O procedimento adotado pelo ministro é considerado incomum. O rito burocrático padrão seria o STF encaminhar a demanda ao Instituto Nacional de Criminalística, que possui um corpo de mais de 200 peritos, para que a própria direção do órgão designasse os profissionais de acordo com a especialidade necessária.

Ao chegar com uma lista pronta de quatro nomes, sem consultar a direção-geral, Toffoli atropelou a autonomia administrativa da polícia, gerando forte mal-estar.
Apesar do ruído político, a apuração do blog confirma que os nomes selecionados à revelia da direção possuem a mais alta qualificação técnica para a complexidade do caso.

Na quarta-feira (14), Toffoli tinha decidido que a Procuradoria-Geral da República ficaria responsável pela análise. Antes, a determinação do ministro era para que os equipamentos apreendidos ficassem sob custódia do STF.

O que, na prática, significava que os peritos da PF não poderiam extrair os dados de equipamentos eletrônicos antes do envio ao Supremo. A PF afirmou que isso causaria graves prejuízos à investigação.
Suspeitas de fraude milionária
O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a "maior fraude bancária" do país.
No entanto, a liquidação pelo BC passou a ser questionada. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou uma inspeção em documentos relativos ao processo. Nesse meio tempo, o BC começou a ser alvo de ataques digitais com o objetivo de desacreditar a sua atuação. A PF apura pagamentos milionários a influenciadores. Diante das fraudes detectadas, a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária.

O caso Master chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli. Relator do tema, ele determinou sigilo sobre todo o processo. Uma das primeiras medidas foi a acareação no tribunal no fim do ano passado.

A primeira fase da operação aconteceu em novembro passado e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro. O dono do Banco Master foi preso quando estava no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo investigadores, ele estava tentando fugir do país em um avião particular para a Europa. Dias depois, ele foi solto pela Justiça.
Com informações do G1

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