Maria Laura Gomes
21/02/2026 08:26 - Atualizado em 21/02/2026 08:26
Reprodução CBF
O atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, denunciou ter sido vítima de racismo durante a vitória por 1 a 0 sobre o Benfica, na última terça-feira (17), pelo mata-mata da Liga dos Campeões da UEFA. A partida foi disputada no Estádio da Luz, em Lisboa, e o episódio ocorreu logo após o brasileiro marcar o gol da partida.
Aos quatro minutos do segundo tempo, Vini Jr recebeu passe de Kylian Mbappé pela esquerda e finalizou da entrada da área, acertando o ângulo do goleiro Anatoliy Trubin. Na comemoração, dançou próximo à bandeira de escanteio, em frente à torcida adversária. Em seguida, jogadores do Benfica foram tirar satisfações com o atacante, que acabou advertido com cartão amarelo pelo árbitro François Letexier. Logo depois, o brasileiro relatou ao juiz ter sido chamado de “mono”, termo racista em espanhol que significa macaco, após discussão com Gianluca Prestianni.
A repercussão do caso ultrapassou o cenário internacional e também foi debatida em Campos. O jornalista e radialista Arnaldo Garcia, apresentador do programa Plena Esportes, avaliou que o episódio evidencia falhas no combate ao racismo no futebol.
“Primeiro, a fragilidade na aplicação das punições. Segundo, a falta de caráter dos agressores que são orientados quanto a esse tipo de comportamento e, mesmo assim, o praticam. Inclusive, deliberadamente, como foi o último caso com o Vinicius Jr. E nesse caso tem um fator inaceitável, por partir de um profissional, que, teoricamente deve ser consciente, ‘frio’”, afirmou.
Ele também defendeu punições mais severas. “Quando alguém sabe que é errado e insiste, a punição deve ser extrema. Multar atleta e o clube é uma medida que pode acabar com esse tipo de coisa. As punições precisam acontecer na esfera esportiva e fora dela”, finalizou.
Já o jornalista Matheus Berriel, colunista do Folha 1, relacionou a recorrência dos episódios à sensação de impunidade. “Os casos de racismo são recorrentes porque ainda existe impunidade. Por mais que episódios como esse venham sendo mais divulgados, ainda existe a impressão de que não vão dar em nada, especialmente na Europa. Quando alguém aponta as comemorações do Vinícius Júnior como motivadoras dos ataques, vemos a vítima sendo transformada em acusada”, destacou.
Segundo ele, apenas sanções mais rígidas podem provocar mudanças. “Somente punições mais rígidas podem mudar essa realidade, seja para punir e reeducar quem já cometeu o crime, seja para inibir outras pessoas”, disse.
O Campos Atlético Associação, o Roxinho, também se manifestou por meio de nota oficial.
“O futebol é alegria, talento, superação e é isso que representa Vinícius Júnior. Ontem, mais um episódio lamentável de racismo manchou o espetáculo. Quando isso acontece, não é ‘só’ com um jogador. É com todos nós, com a história e, principalmente, com o esporte”, finalizou.