Mais de 1,3 mil denúncias sobre golpes do falso advogado foram registradas em todo o estado do RJ
Mais de 1,3 mil denúncias sobre o chamado “golpe do falso advogado” foram registradas em todo o estado do Rio de Janeiro durante todo o ano de 2025 até o dia 27 de janeiro deste ano. Diante dos frequentes relatos em todo o país, a 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Campos, tem reforçado ações de conscientização e prevenção a esse golpe. A prática envolve criminosos que se passam por profissionais da advocacia para enganar vítimas, geralmente por meio de mensagens, solicitando pagamentos indevidos, acesso ao PIX, senhas ou informações de contas bancárias.
Os golpistas entram em contato com a vítima, fingindo ser de uma instituição financeira ou de suporte técnico, e solicitam informações confidenciais para realizar uma transferência ou "resolver um problema". Outra forma de golpe é através do envio de mensagens falsas por e-mail, SMS ou redes sociais, que se parecem com comunicações legítimas de autoridades ou empresas confiáveis. Essas mensagens geralmente contêm links de páginas falsas com o intuito de fraude para obter ilegalmente informações pessoais como números de identidade, senhas bancárias, número de cartão de crédito, entre outras. Além do golpe da troca de chave Pix, onde o golpista convence a vítima a alterar suas chaves de acesso, direcionando assim as transferências para as contas dele.
Já na advocacia, segundo a cartilha da OAB, esse golpe acontece em virtude de demandas judiciais, pois os golpistas têm acesso aos dados insertos nos processos judiciais, que são públicos. Ele entra em contato com clientes ou partes envolvidas, se passando pelo advogado contratado ou pelo respectivo escritório, e solicita transferências via PIX, alegando que o pagamento prévio de um valor é necessário para liberar um suposto crédito existente no processo. Essa abordagem junto ao cliente pode acontecer de algumas maneiras variadas, como por exemplo, invasão do WhatsApp usando o mesmo número do advogado ou do escritório; clonagem do WhatsApp do advogado ou do escritório, com a utilização de foto e logotipo; utilizando números diferentes e aleatórios, se passando pelo advogado; ou se passando pela secretária ou por suposto outro advogado do escritório.
Desde o ano passado, sob a presidência de Mariana Lontra Costa, a subseção do município intensificou o trabalho, reforçando orientações para que clientes confirmem qualquer solicitação diretamente com seu advogado, utilizando apenas os canais tradicionais de contato já conhecidos, e não realizem pagamentos ou transferências sem comunicação direta e segura com o profissional.
“É fundamental que o alerta a respeito destes golpes circule, também, entre o público em geral. E é o que temos feito", esclareceu Mariana. Ela acrescenta ainda que a subseção atua de forma alinhada às iniciativas da OAB-RJ, que desenvolveu campanhas informativas, cartilha de orientação e ações conjuntas com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro voltadas à prevenção do uso indevido de dados processuais por criminosos”, informou a presidente.
Já em relação ao número de casos registrados, a OAB Campos esclareceu que as denúncias recebidas são encaminhadas à Seccional da OAB do Rio de Janeiro, conforme o fluxo institucional de apuração. Por esse motivo, os registros não são consolidados na Subseção.
Desde o ano passado, a OAB-RJ tem adotado medidas para combater esse tipo de fraude, como o pedido ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para restringir filtros de busca em sistemas judiciais considerados vulneráveis, solicitação aceita recentemente. A seccional também implantou dupla verificação de acesso aos processos com senha, criou marca d’água para identificar advogados que baixarem ou imprimirem peças processuais, lançou uma cartilha de orientação e ingressou com ação contra a Meta por falhas na desativação de contas do aplicativo associadas a linhas telefônicas canceladas por operadoras de telefonia móvel.
Em contato com o delegado titular da 146ª Delegacia de Polícia de Guarus, Ronaldo Cavalcante, foi esclarecido que a capitulação deste crime é estelionato. Ele reforçou ainda a importância da realização do registro de ocorrência mesmo quando não há prejuízo financeiro. Esse registro pode ser feito online ou no local da conduta.
A orientação nesses casos é que a população sempre desconfie de pedidos de pagamento feitos por mensagens ou ligações, evite compartilhar dados pessoais e confirme qualquer informação diretamente com o advogado responsável pelo caso, por meios já conhecidos.