Arthur Soffiati - A propósito da COP-30
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A abundância de recursos e as oscilações climáticas naturais do Holoceno favoreceram o crescimento da produção de certas sociedades. Em especial, da sociedade ocidental. Foi uma fase cálida do clima entre os séculos IX e XIV que estimulou a economia de mercado. Foram a abundância de terras e de produtos considerados preciosos que favoreceram o crescimento da sociedade da Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, o acesso à terra exigia o desmatamento. Os metais preciosos exigiam a escravização de nativos e de africanos.
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A obtenção de riquezas provocava o empobrecimento do ambiente, com a derrubada de florestas, com a extinção de espécies animais, com a poluição das águas e do ar, com a erosão, com a emissão de gases que alteravam o clima artificialmente.
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Sempre em busca de lucros crescentes, a sociedade europeia ocidental passou a explorar minerais fósseis para a geração de energia e matéria prima. Carvão mineral, petróleo e gás natural foram produzidos pela natureza. Agora, eles são intensivamente usados e causam danos à própria natureza que os criou. Eles propiciaram os avanços dos processos de produção no que é conhecido como Revolução Industrial assim como começaram a inviabilizar a própria revolução que os gerou.
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Se a natureza já se ressentia dos impactos causados pela sua exploração, os impactos de uma economia criada e expandida pelo ocidente para todo o mundo aumentam de intensidade de forma exponencial.
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Em qualquer momento da história da Terra e da vida, predominam processos homeostáticos, ou seja, aqueles em que uma ação gera uma reação que inibe a ação inicial, a exemplo de uma caixa d’água que tem seu nível abaixado. Acontece de a boia também abaixar permitindo a entrada de água que elevará a boia e vedará o cano de entrada. O equilíbrio é, então, restabelecido.
Desde seus primórdios, os grupos humanos lutam entre si por recursos naturais ou por costume. As lutas desses primeiros povos não visavam a conquista de territórios, mas apenas de recursos para viver e para demonstrar coragem. Sempre havia repercussões na natureza, mas de pouca monta. A natureza dava conta e absorvia os impactos.
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Quando algumas sociedades se tornaram sedentárias graças à agricultura e ao pastorei, foi necessário desmatar. Os povos nômades atacavam as sociedades agrícolas em busca de alimentos. Tanto o desmatamento quanto a guerra entre nômades e sedentários, assim como entre sedentários e sedentários, causavam impactos à natureza, mas ela apresentava resiliência para absorver tais impactos.
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Algumas sociedades agrícolas tornaram-se urbanas. O impacto delas sobre a natureza aumentou. Da mesma forma, as riquezas produzidas atraíam povos nômades. As guerras se tornaram frequentes para defesa contra ataques nômades e contra outras sociedades urbanas para conquista de territórios. A natureza ainda apresentava resiliência para absorver os impactos das guerras contra ela para exploração de recursos naturais e contra outros povos.
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Algumas ultrapassaram os limites da natureza e sofreram as consequências de uma superexploração, como no vale do indo, no vale do Mekong, na América Central e na ilha de Páscoa. Essa ultrapassagem contribuiu para o declínio de tais sociedades. Foram guerras travadas contra a natureza em nome da economia. No final, a natureza venceu.
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A mais longa guerra travada pelos seres humanos entre si foi a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), mas a guerra mais longa vem sendo travada pelo Ocidente contra a natureza há pelo menos 600 anos (1415-2025). Essa guerra foi travada em nome do lucro e da ocidentalização do mundo.
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Quando algumas sociedades se tornaram sedentárias graças à agricultura e ao pastorei, foi necessário desmatar. Os povos nômades atacavam as sociedades agrícolas em busca de alimentos. Tanto o desmatamento quanto a guerra entre nômades e sedentários, assim como entre sedentários e sedentários, causavam impactos à natureza, mas ela apresentava resiliência para absorver tais impactos.
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Algumas sociedades agrícolas tornaram-se urbanas. O impacto delas sobre a natureza aumentou. Da mesma forma, as riquezas produzidas atraíam povos nômades. As guerras se tornaram frequentes para defesa contra ataques nômades e contra outras sociedades urbanas para conquista de territórios. A natureza ainda apresentava resiliência para absorver os impactos das guerras contra ela para exploração de recursos naturais e contra outros povos.
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Algumas ultrapassaram os limites da natureza e sofreram as consequências de uma superexploração, como no vale do indo, no vale do Mekong, na América Central e na ilha de Páscoa. Essa ultrapassagem contribuiu para o declínio de tais sociedades. Foram guerras travadas contra a natureza em nome da economia. No final, a natureza venceu.
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A mais longa guerra travada pelos seres humanos entre si foi a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), mas a guerra mais longa vem sendo travada pelo Ocidente contra a natureza há pelo menos 600 anos (1415-2025). Essa guerra foi travada em nome do lucro e da ocidentalização do mundo.
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A abundância de recursos e as oscilações climáticas naturais do Holoceno favoreceram o crescimento da produção de certas sociedades. Em especial, da sociedade ocidental. Foi uma fase cálida do clima entre os séculos IX e XIV que estimulou a economia de mercado. Foram a abundância de terras e de produtos considerados preciosos que favoreceram o crescimento da sociedade da Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, o acesso à terra exigia o desmatamento. Os metais preciosos exigiam a escravização de nativos e de africanos.
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A obtenção de riquezas provocava o empobrecimento do ambiente, com a derrubada de florestas, com a extinção de espécies animais, com a poluição das águas e do ar, com a erosão, com a emissão de gases que alteravam o clima artificialmente.
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Sempre em busca de lucros crescentes, a sociedade europeia ocidental passou a explorar minerais fósseis para a geração de energia e matéria prima. Carvão mineral, petróleo e gás natural foram produzidos pela natureza. Agora, eles são intensivamente usados e causam danos à própria natureza que os criou. Eles propiciaram os avanços dos processos de produção no que é conhecido como Revolução Industrial assim como começaram a inviabilizar a própria revolução que os gerou.
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Se a natureza já se ressentia dos impactos causados pela sua exploração, os impactos de uma economia criada e expandida pelo ocidente para todo o mundo aumentam de intensidade de forma exponencial.
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Em qualquer momento da história da Terra e da vida, predominam processos homeostáticos, ou seja, aqueles em que uma ação gera uma reação que inibe a ação inicial, a exemplo de uma caixa d’água que tem seu nível abaixado. Acontece de a boia também abaixar permitindo a entrada de água que elevará a boia e vedará o cano de entrada. O equilíbrio é, então, restabelecido.
*Professor, escritor, historiador, ambientalista e membro da Academia Campista de Letras