Passeata em homenagem à professora assassinada em Travessão
Virna Alencar 11/07/2019 15:26 - Atualizado em 11/07/2019 19:21
Passeata à professora assassinada no último dia 3
Passeata à professora assassinada no último dia 3 / Virna Alencar
Alunos e professores de uma escola particular de Travessão, onde Regiane da Silva Santos ministrava aulas, realizaram uma passeata, na tarde desta quinta-feira (11), para homenagear a professora, de 36 anos, que foi assassinada no dia 3 de julho dentro de uma academia do distrito, e chamar atenção para os casos de feminicídio. O número de atendimentos no primeiro trimestre de 2019 na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), em Campos, aumentou 55% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o órgão. Foram 334 registros de ocorrências realizados neste ano contra 215 em 2018 nos três primeiros meses do ano.
A concentração aconteceu às 14h, em frente à escola, situada na rua Antônio Luiz da Silveira. Com flores e cartazes nas mãos, o grupo percorreu as principais ruas do distrito. Nos cartazes, mensagens como “Quem ama, não mata, não humilha, não maltrata”; “Parem de nos matar #SomostodosRegiane”, chamou atenção para casos de feminicídio. A passeata contou com apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal.
A diretora do Ciep Luiz Carlos Lacerda, onde Regiane também ministrava aulas, Cheyenne Sardinha, participou da passeata e disse que o convite foi estendido a todas as escolas da comunidade de Travessão.
— Essa passeata demonstra a nossa luta, das mulheres, das nossas alunas e funcionárias, contra o feminicídio e violência doméstica. Apesar de ser uma homenagem a Regiane, a luta é de todas. O convite para essa passeata foi distribuído não só para as duas escolas, como as demais instituições da nossa comunidade — disse.
A mobilização contou com a participação de alunos na faixa etária de 14 a 17 anos, que elaboraram os próprios cartazes e deixaram as salas de aula para disseminar pelas ruas estatísticas sobre violência contra a mulher.
O estudante do 7º ano do Ensino Fundamental, Pedro Paulo Tavares, de 15 anos, contou que sente falta da professora de Língua Portuguesa. “Além de ser professora, ela era como uma mãe. Sinto muita falta dela. Estou aqui nesse ato porque não acho necessário matar ninguém. Nada justifica um ato de brutalidade como esse. As mulheres estão sofrendo muito, são inúmeros casos de abuso. Tenho quatro irmãs, de 13, 21, 22 e 25 anos, e o que não quero para elas não desejo a mulher nenhuma”, ressaltou.
Familiares de Regiane também participaram da passeata, entre eles a irmã Amanda da Silva, de 29 anos. “Estamos criando forças para superar essa perda, até mesmo em razão das três filhas, de 5, 6 e 9 anos, que ela deixou. A gente nunca imagina que uma violência dessa vai acontecer com alguém de nossa família. Tudo o que ela queria era viver em paz com as filhas dela. Por ser uma pessoa maravilhosa, ele (ex-companheiro) não se imaginou viver sem ela. Esperamos que a justiça seja feita”, finalizou.
Na ocasião, a vereadora de Campos Joilza Rangel, integrante da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal, falou da importância da educação para mudar a realidade de violência contra a mulher.
— Espero que nesta tarde, meninos e meninas estejam refletindo sobre o grande futuro deles. Vi Regiane crescer, ela foi nossa aluna em uma escola da rede municipal, em Travessão, uma menina que sempre foi muito meiga, carinhosa e tenho certeza que ela deixou uma grande lição para todos nós, de um futuro sem feminicídio. São muitas mulheres passando por esse processo, desde a Cristina, que há cerca de três anos foi vítima em Vila Nova, e o caso até hoje está impune. A iniciativa dessa diretora foi realmente brilhante. Vamos voltar a fazer uma discussão sobre o assunto na Câmara Municipal, porque Regiane vinha num processo de violência, ela não foi iniciada no dia em que culminou em sua morte, por isso, precisamos falar e alertar sobre isso — disse Joilza.
Crime – O crime aconteceu por volta das 20h, dentro de uma academia, na rua Vicente Pelegrini, no distrito de Campos. Regiane foi atingida por cinco tiros, três no tórax, um nas costas e outro na mão. O ex-marido da vítima, de 55 anos, se entregou à 143ª Delegacia de Polícia (Itaperuna), na madrugada de sexta-feira (5), acompanhado de um advogado. Contra o suspeito, havia três medidas restritivas, sendo a mais recente requerida por Regiane em maio deste ano. O caso está sendo investigado na 146ª Delegacia de Polícia em Guarus.

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